terça-feira, fevereiro 19, 2008

libre?



ainda sob o impacto da notícia da renúncia do fidel, pensei em escrever alguma coisa relacionando design e cuba.

design é, resumidamente, o processo de criação e desenvolvimento de produtos, refletindo a sociedade em que isso ocorre.

acontece que, como já foi dito (tenho a citação exata num livro que emprestei e não me devolveram), o design se prostituiu. virou uma " " ferramenta para aumentar as vendas das indústrias. bom, dessa maneira ele continua refletindo essa sociedade em que tudo tem seu preço.

a dúvida é: existe design num país socialista?
minha resposta é: sim, existe. tanto que há uma escola superior de design em havana. o design não é fruto do capitalismo, mas da sociedade. dessa maneira, fica claro que grupos diferentes produzirão resultados diferentes (que coisa mais luziana lanna...). num lugar em que as poucas indústrias não competem entre si, mas existem apenas para suprir as necessidades básicas locais (considerando que as experiências socialistas não são exatamente produtoras de riquezas), é de se imaginar que o processo de desenvolvimento de produtos seja conduzido por diretrizes que buscam não o encantamento e o desejo, mas simplesmente resolver uma certa necessidade. falo do design de produtos, que é a minha praia.

[não vou entrar no assunto desejo X necessidade, pq é uma discussão infinita.]

não consegui encontrar um site do instituto superior de diseño, mas aqui dá pra ter uma idéia da história e dos objetivos da escola:

Un diseñador cubano debe ante todo instruir al pueblo, no solo en el campo de la información, sino también en la publicidad, en las estrategias de elaboración de los productos que faciliten sus condiciones de vida y ayuden a desarrollar la economía del país.

...

«Un aporte significativo podríamos hacerlo en el programa de la Revolución Energética, a partir de la optimización de los equipos, del espacio de la cocina para las condiciones que demandan las transformaciones en Cuba. También en el campo ambiental para minimizar el vertimiento de desperdicios, con el empleo de materiales alternativos»

...

«Sin embargo no hay conciencia suficiente de lo necesario y posible que es el diseño en el país, y que este profesional es un intermediario entre el hombre y la solución de los problemas cotidianos, entre su manera de abordar la vida, en la formación de valores, pues crea una ideología, y una cultura visual»


percebe-se como é uma visão diferente de, por exemplo, uma escola de design brasileira, cada vez mais voltada para as necessidades do mercado e não da sociedade.

apesar de todo o meu pessimismo, acredito que sonhar e tentar transformar a realidade ainda são atos saudáveis. sei que o cerumano não é santo e, como fidel faz parte da espécie, ele tb tem seus defeitos. mas ele acreditou na possibilidade de um mundo melhor e pra mim isso já é o suficiente para admirá-lo.




sobre o design gráfico em cuba:

- A Design Legacy of Contradictions: The changing face of Graphic design in pre-revolutionary, revolutionary and present day Cuba.

- Notes for a Chronology of Graphic Design in Cuba (from 1950 up to the present)

- 7a. Semana do Design na ilha: Diálogo de paixões

2 comentários:

Kenji disse...

mesmo no comunismo, é preciso vender idéias ;-)

mas gostei muito deste post. boa ótica ;-)

Anônimo disse...

eu me recuso a admirar alguém que fuzila sumariamente qualquer um que o contradiz.
obviamente é muito mais fácil admirá-lo de longe, sem ter que passar pelas agruras da ilha. sem ter que arriscar a vida atravessando o golfo do méxico em uma bóia, na busca de liberdade.