quarta-feira, maio 17, 2006

Complicações da vida saudável
Pedro Doria, nomínimo

No limite, comida saudável é o frango criado no jardim de casa, alimentado com cereal plantado por ali sem qualquer químico no adubo. O pescoço do bicho há que ser quebrado pela mão do cozinheiro – mas aí é pedir demais. Talvez seja bem aceitável o modelo norte-americano do Whole Foods Market, uma cadeia nacional de lojas cujas ações valem 63 dólares na bolsa – valiam quase 3 quando abriu capital, em 1992. Só vende orgânicos.

A New Yorker da semana, no entanto, traz à tona a discussão: o que é orgânico? Na Whole Foods, vende-se coisa que não tem agrotóxico, mas é tudo produzido em fazendas com escala industrial. E para levar a Nova York a alface plantada na Califórnia gasta-se em gasolina muito mais em caloria do que a pobre folha tem em si para oferecer. É orgânico. Mas não é desenvolvimento sustentável.

Quer dizer: saudável mas, na cadeia da produção, tripudia com o meio-ambiente só um quê menos que o tomatão vermelho, bonito e sem defeitos com um gene de morcego implantado. Então qual o conceito de orgânico? No fundo, a discussão é: para que se come orgânico? É um prato ordinário embora mais saudável? Ou é um conceito, uma ideologia, uma crença num mundo melhor?

Produtores locais nem sempre têm mercado o suficiente para se sustentarem. Aliás, às vezes precisam mesmo de grande escala para a produção.

E a discussão sequer é tão simples quanto um ou outro conceito de orgânico. Sem a comida produzida em fazendas industriais, com aditivos químicos e genes de morcego, provavelmente não dá para alimentar todo mundo. Ponto. Orgânico é produto para elite – ou para um planeta com um quarto de sua população.

Ao menos, é assim que descreve o processo a New Yorker.

4 comentários:

Anônimo disse...

É, Ferds, organico é pra quem pode (pelo menos, para quem pode plantar e criar). Vc é vegan? Se for, vamos brigar? Sou radicalmente contra esse radicalismo. bjs. Fernão

ferds disse...

fernão,
eu sou ovolactovegetariana, pra ser bem clara. e tb sou radicalmente contra radicalismos, hehehehe. e tenho medo de coisas orgânicas...
continua querendo briga?
:)

Anônimo disse...

Quero briga mais, não (tá bem mineiro procê?).
É que eu sou metido e ficaria preocupado com sua saúde.
Medo do orgânico porque? Por causa do custo, do gosto ou do que vai nele?
F, o radical

gal disse...

a vida saudável é muito complicada pra mim.