sábado, janeiro 27, 2007


a carambola


a carambola (Averrhoa carambola) é a fruta da caramboleira.

que eu me lembre, a primeira vez que provei (há uns vinte anos) foi numa cidade do interior de mg, onde viveram alguns dos meus antepassados.
achei meio estranha: mal a gente começa a comer e ela já acaba.

depois disso tive contatos esporádicos, nada muito importante.

até que...

na faculdade, numa das matérias de prática projetual, resolvi fazer um conjunto de sobremesa. fiz os mock-ups e aí veio a parte que eu mais gostava: produção de fotos para apresentação e defesa do projeto.
então procurei frutas - e a carambola foi a única que eu fazia questão de encontrar.
cortes transversais dessa fruta que costuma travar a boca são uma das coisas mais lindas que eu já vi - e pude - comer: estrelinhas.

depois disso, ainda na faculdade, e recebendo catálogos de empresas estrangeiras, encontrei um conjunto de potes e porta-velas (acho que existe um nome melhor pra isso) com que nome? carambola. de onde a empresa era? da escandinávia.

pausa.


e aí...

andando pelas ruas de bh agora em janeiro, vi várias pessoas vendendo o que?
carambolas.
(goiabas tb, mas isso não vem ao caso)


semana passada fiquei com uma musiquinha infantil na cabeça, sabe-se lá o porque.
a musiquinha?

twinkle twinkle little star
how i wonder what you are
up above the world so high
like a diamond in the sky
twinkle twinkle little star
how i wonder what you are...

e como a carambola tb é chamada em países de língua inglesa?
star fruit.


mas o fato mais impressionante dessa fruta tão bonita e inocente: ela pode matar.
pode e mata.
pessoas com algum tipo de insuficiência renal são terminantemente proibidas de comer a fruta, seja in natura, em suco ou em doce.
proibidas.
tudo pq ela contém uma toxina que, não por acaso, funciona como um inseticida natural.
pacientes com insuficiência renal não excretam toda a toxina que ingeriram. a toxina é absorvida pelo organismo, atinge o sistema nervoso e aí vem o estrago.

essa é a carambola.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

dica do talk is cheap (link ao lado):

betty boop - minnie the moocher

momento de profunda reflexão:

o negócio é aprender a lidar com as coisas que acontecem.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

not in the mood.

terça-feira, janeiro 16, 2007

preciso pedir autorização a alguém pra sentir preocupação e medo?

pelo menos hj consegui botar alguma coisa pra fora. não aguentava mais.
talvez o tropeço, seguido de queda, tenha contribuído.

sorry, meu nome não é pollyanna.
nem carola.

sem vontade de ficar repetindo as mesmas coisas.
(sem palavras)

sábado, janeiro 13, 2007

preocupação
tensão
exaustão
decepção
.
.
.


tudo muito tão.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

se eu exijo muito das pessoas? isso depende. eu exijo um mínimo de consideração*, isso sim. mas não peço, não reclamo, não imploro por isso. pode ser que eu me apegue a umas pessoas de uma maneira e imagine que elas tb se apegaram a mim no mesmo nível. e aí eu posso me decepcionar. e aí eu me decepciono. já me afastei de algumas pessoas por isso. e por mais que tenha sido chato e triste e tal, eu acabei percebendo que no fim das contas as tais pessoas não me faziam a menor falta. é por isso que eu preencho minha agenda de telefones a lápis e, vira e mexe deleto profiles no orkut. ainda existem pessoas que eu queria deletar e telefones que eu queria apagar, mas por algum motivo ainda mantenho.

*consideração pra mim não é chamar pra sair, pra beber, pra dançar ou o que for. é um pouco mais do que isso. mas quem sabe o que é, sabe. e pra quem não sabe, focófi. não sou eu que vou explicar.

CINE - María Antonieta

Sofia Coppola trata con un cariño casi piadoso a este personaje tan vapuleado por la historia y que en cierto modo es una mezcla de sus otras creaciones femeninas, la Lux de las Vírgenes Suicidas y sobretodo la Charlotte de Lost in Traslation: jóvenes desubicadas en un mundo extraño cuya existencia cotidiana, aparentemente anodina, esconde siempre una tragedia. Quien espere encontrar en la película un pedacito de historia mejor que se compre un libro, este no es un biopic al uso sino un derroche de lujo escénico al mas puro estilo kitch: zapatos de Manolo Blahnik, peinados imposible y una banda sonora demasiado cañera para el siglo XVII son los ingredientes principales de un film entretenido y cuanto menos original, que nos transporta a un mundo frívolo y fastuoso al borde del ocaso/(daqui)


é exatamente isso. e foi por isso que eu gostei.

(mas mesmo assim eu não fico leve)

miss rivotril 2mg

(pq eu não consigo relaxar)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

meio totalmente esgotada.

odeio a unimed. a de bh, principalmente.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

não preciso de inimigos.

terça-feira, janeiro 09, 2007

* o dahl de ervilha partida está aprovadíssimo!

* fahrenheit 451 (o filme, do truffaut) é ótimo. agora quero ler o livro.

* lendo "a nausea", j.p.sartre.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

cansada de expôr seus pontos de vista a pessoas que tendem a distorcer tudo que ela fala, a proprietária desse blógue continua na batalha por um fóquiú menos pessoal e mais abrangente.

portanto, mais uma receitinha. acabei de fazer e como é daquelas comidinhas com condimentos, acho melhor fazer de véspera, pro sabor ficar bem acentuado. o que quer dizer que eu só vou saber se é bom mesmo amanhã. chama dahl de ervilha partida e a receita está neste link.

pra quem quiser saber mais sobre o dahl, preparação de alimentos típica da índia, clique aqui.

e o momento madeleine do dia foi para o gengibre. enquando preparava o dahl, mastiguei uns pedacinhos e voltei ao 3º ano do 2º grau. não tenho saudade, mas foi legal lembrar de algumas coisas.

domingo, janeiro 07, 2007

Tempo Amarelo, Renato Carneiro Campos

Amarelo é a cor das mesas, dos bancos, dos tamboretes, dos cabos das peixeiras, da enxada e da estrovenga. Do carro-de-boi, das cangas, dos chapéus envelhecidos, da charque. Amarelo das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarréias, dos dentes apodrecidos... Tempo interior amarelo. Velho, desbotado, doente.


(vi amarelo manga e gostei. quero ver o baixio das bestas agora. e ir a recife um dia.)

quinta-feira, janeiro 04, 2007

filmes recém-vistos (pelo menos na tentativa):
- babilônia 2000 -> documentário do eduardo coutinho, muito bom.
- código da vinci -> dormi com uns 15' de filme;
- pequena miss sunshine -> gostei, mas fiquei meio decepcionada. e achei inverossímel uma menina daquele tamanho, com aquela família, nos eua de hoje em dia, ser tão ingênua.
- filme de amor -> outro que dormi rapidinho. a proposta pode até ter sido interessante, mas o resultado...
- marie antoinette -> gostei sim, e daí?
- barrados no shopping -> humpf. só gostei de 1 fala no filme inteiro.

esmaltes recém adquiridos:
- boa sorte
- final feliz
- fortuna
(todos da coleção alto astral da risqué)

livros recém adquiridos:
- o livro das feras - patricia highsmith -> finalmente alguém pensou em mim de verdade ao escolher um presente de amigo oculto. (aqui)
- com todo vapor ao colapso - robert kurz -> nem acreditei qdo li k-u-r-z na prateleira da livraria! (aqui)
- os tempos hipermodernos - gilles lipovetsky -> apesar de não ser adepta do pensamento dele no império do efêmero, fiquei curiosa com esse. (aqui)

segunda-feira, janeiro 01, 2007

reveillon vegan total

menjadra de lentilha (aqui)
quibe vegetariano (receita 39 daqui)

pra acompanhar, benjamin nieto senetiner cabernet sauvignon. muuuuuito bom.

e pra finalizar a sessão comilança, torta de banana integral.

modéstia a parte, ficou tudo muito bom, apesar de uma pequena falta de noção de quantidade e tempo de cozimento. esse vai ser o cardápio da semana toda.

* descobri que posso ver fogos lindos pela janela. não consegui identificar bem de onde eles saíam, mas o planejamento foi bom: começaram a estourar assim que os fogos do rio pararam. todo mundo pôde ver pela televisão e, depois, ao vivo.

* as pessoas precisam ficar soltando foguetes durante o dia inteiro? cadê o limite?
biazinha sofre, coitada.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

separados no nascimento:

uva passa X dedo de defunto que ficou mto tempo na água
semente de linhaça X filhotinhos de barata
doce de goiaba em calda X orelha humana
alcaparras X filhotinhos de tartaruga
arroz com aletria X arroz com larvas

segunda-feira, dezembro 25, 2006

o original é dos meninos da praia.
mas a versão que eu gosto mesmo é da gaivota gritando: beija ela beija ela.


You Still Believe In Me

I know perfectly well
I'm not where I should be
I've been very aware
You've been patient with me

Every time we break up
You bring back your love to me
And after all I've done to you
How can it be

You still believe in me

I try hard to be more
What you want me to be
But I can't help how I act
When you're not here with me

I try hard to be strong
But sometimes I fail myself
And after all I've promised you
So faithfully

You still believe in me

I wanna cry...

ho

ho

ho

domingo, dezembro 03, 2006

querido blógue,

não, eu não me esqueci de vc. andei com vários posts em mente, mas não sei se vou publicá-los. quem sabe amanhã? durante os dias úteis o horário tem sido meio complicado. sabe como é, né? depois de um período especialmente complicado, talvez eu consiga me organizar melhor. espero que isso aconteça ei-éss-ei-pi.

até breve
:)

domingo, outubro 29, 2006

eu li isso outro dia em algum lugar. e vou copiar. foi o mário quintana que disse:
a esperança é um urubu pintado de verde.

eu espero que as coisas boas continuem e que os erros não se repitam.

mas o que eu esperava mesmo é que tudo fosse muito diferente.

uoréver.

o mundo fica menos feliz. notícia aqui.

*****

vergonha alheia pros candidatos à presidência no debate da globo.
mas, principalmente, pra lívia da novela das 8. pensei que o autor seria bonzinho e a mataria no acidente. mas ele é mau, muito mau. e ela é péssima, terrível. devia enfiar o rabinho entre as pernas e voltar pro videoshow.

*****

sou a favor da gentileza. DESDE QUE não me venham com perguntas imbecis. entre outras coisas.

*****

o itaú consegue se superar e me provocar raiva a cada dia.

*****

pra terminar, um site fofo: http://rosylittlethings.typepad.com/

sábado, outubro 28, 2006

sexta-feira, outubro 20, 2006

nojo.
não consegui ver o debate de ontem por isso.
muito nojo dos dois candidatos, da politicagem e dos joguinhos de poder.

ontem houve pelo menos 10 mortes em acidentes em estradas de mg. um deles mexeu mais comigo pq eu conhecia uma vítima. e o que isso tem a ver com o nojo acima? tudo.

existem 2 possíbilidades para o acidente:
1) a bobina não estava presa corretamente ou
2) a bobina estava presa mas se soltou por causa de um calombo na estrada.

considerando a hipótese (1): pq a bobina não estaria presa da maneira correta? simples. porque não há fiscalização nas estradas nem em lugar nenhum. e mesmo se houvesse, isso não seria problema pq, como é sabido, impunidade é o que há. maneiras de se fugir das responsabilidades não faltam.

no caso da hipótese (2): todo mundo sabe o estado horroroso em que as estradas se encontram, com algumas poucas exceções. viajar de carro ou de ônibus é atividade de alto risco. e então numa estrada já com fama de perigosa, num trecho especialmente mais perigoso ainda, há um calombo. [particularmente, eu acredito que um caminhão que transporta duas bobinas totalizando mais ou menos 30 toneladas, deva trafegar em velocidade bastante baixa. nesse caso o tal do calombo não representaria taaaaaaaaanto risco assim. mas quem respeita os limites de velocidade?] onde estão os órgãos responsáveis pela manutenção das estradas?

escrevo só hj pq ontem eu estava muito abalada com o que aconteceu.
o velório está acontecendo agora.
como a viúva e a filha adolescente vão ficar?

mas enquanto o mundo explode, dois candidatos a presidência do país se insultam, se ironizam e só pensam no poder. tive muito nojo sim e quase passei mal com os 20 segundos que suportei ver. não vou discorrer sobre as causas e possíveis soluções de todos os problemas do brasil. mas eu me recuso a participar desse joguinho com opções tão medíocres.

o brasil é tão bom quanto o seu voto.

sábado, outubro 14, 2006

preguiça de corrigir o post abaixo pra ficar legível.







Which Depeche Mode song are you?




Enjoy The Silence--Calm and peaceful, you understand just how beautiful silence can be when you're with your loved one..
Take this quiz!








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domingo, outubro 08, 2006

há uns 2 ou 3 anos tenho procurado uma cor de esmalte.
ontem eu finalmente encontrei e hj passei.
rose bombom, da risqué (dá pra ver aqui).
aprovada!

update:
Rose Bombom – rosa-claro cremoso que lembra o romantismo de Molly Ringwald em “A garota de rosa shocking”. (daqui)

pra encher os olhos:

finding beauty in the very small - aqui.

o que me encantou mas ao mesmo tempo me fez abandonar a biologia.

update de ontem:

(claro que eu dormi antes do filme (a intérprete) chegar à metade.)


mas o que eu realmente queria escrever, o que me deixou muito, mas muito chocada foi o seguinte:

entraram na casa de um meio-parente (na verdade ficaram só na área externa da casa), abriram o viveiro que ele mantinha há muitos anos e mataram pelo menos 2 pássaros.

roubaram algumas coisas que ficavam nessa área aberta e não se sabe se roubaram outros pássaros ou se eles fugiram qdo o viveiro foi arrombado. dos 10 bichinhos, só 3 ficaram - 1 casal que estava chocando e 1 pássaro que não voa (não sei pq).

pra deixar meu raciocínio claro: eu não sou a favor da criação de animais exóticos ou silvestres em cativeiro. cachorro e gato ainda vai. não gosto de jardim zoológico nem de circos com atrações não-humanas (circo legal não tem animal - mais sobre o assunto aqui e aqui). eu entenderia se alguém invadisse a casa e arrombasse o viveiro pra libertar os pássaros, apesar daquele papo de que animais criados em cativeiro não sobreviveriam à liberdade. mas esse não foi o caso.

quem fez o que fez não pensou no bem dos bichos em momento algum. pode até ser que tenham entrado no viveiro pra roubar as aves e revendê-las, já que eram animais exóticos (e eram legalizados, com aprovação do ibama). o que eu não entendo é como alguém pode arrancar o rabo de uma arara e matá-la provavelmente asfixiada. e jogar o corpo na porta da garagem da casa. coisa parecida foi feita com uma calopsita. isso é crueldade das bravas e - não me venham com direitos humanos - quem fez isso merece apodrecer nas cadeias exemplares do nosso país, que é tão bom quanto o nosso voto.

sábado, outubro 07, 2006

- manhã chuvosa de sábado. gostoso ouvir música, fazer coisas no computador e ter o barulho da chuva ao fundo.

- comi, pela primeira vez, no graciliano. dificilmente volto lá tão cedo. não pela comida, mas pelo preço, que chega a ser absurdo sim. vale a pena de veeeeeez em qdo. a sobremesa de banana, especialidade da casa, é o céu. e olha que eu sou chocólatra.

- falei uns 3 ois em cerca de 10 passos. a savassi é isso aí.

- perdeu de mim nas lojas americanas? estou na parte de cosméticos (especificamente de esmaltes e tinta de cabelo) ou na de meias.

- fui ver o penúltimo dia da muriliana e mostrar meu trabalho pra papi e mami.

- <3

- uma coisa que me deixou chocada. (vai ter update provavelmente amanhã. quero ver a estréia do telecine, que começa agora. depois xixi-caminha).

quarta-feira, outubro 04, 2006

páreo duríssimo: regina duarte e sally field.
pânico.

o brasil é tão bom quanto o seu voto!

segunda-feira, outubro 02, 2006

caco galhardo

domingo, outubro 01, 2006

vi e gostei muito.
muito mais do que do texto:


Desorientação e sabedoria


Os críticos repetem antônimos paradoxais para evocar a arte de Kapoor: presença e ausência, ser e não-ser, lugar e não-lugar, sólido e intangível, efêmero e eterno, matéria e espírito... Não há como fugir deles


JORGE COLI
COLUNISTA DA FOLHA

No domingo, dia 17 de setembro, encerrou-se a exposição de Anish Kapoor no Rio de Janeiro. Foi apresentada no Centro Cultural do Banco do Brasil. Havia muita gente, uma multidão lotando as salas. Um público feliz, maravilhado. As obras sugeriam alguma coisa dos efeitos mágicos que se encontram em labirintos de espelhos ou ilusões de ótica nos parques de diversão. Aparentam-se ao "trompe-l'oeil" para subvertê-lo, dando ao que é aparência uma natureza de essência.
No entanto, muito além do divertimento imediato, o espanto dos espectadores vinha nutrido por uma sensação profunda. Há muito tempo que o campo das artes plásticas não oferecia, no Brasil, uma experiência tão essencial.
A obra "Ascension" [Ascensão] foi criada para o grande saguão do edifício: uma coluna de fumaça subia a 36 metros de altura. Era dirigida e modificava-se na textura, na forma, graças a correntes de ar criadas por ventiladores disfarçadamente dispostos. Uma escultura imaterial, paradoxo anti-hegeliano; uma ascese contemplada; uma senda vertical entre o visível e o invisível.
Kapoor é um gênio que explora os cruzamentos da compreensão, intuição e percepção.

Mar
Três paredes altas partiam de um mesmo ângulo. Uma, central, dividia o espaço; devia ser móvel, em sua gênese. Empurrara, para um lado e para outro, toneladas de cera vermelha. Ao fixar-se, a cera aprisionou a parede, que provocara fluxos e refluxos na matéria dúctil, formando pequenas ondas, delicadas como as gravuras de Hokusai [1760-1849, pintor japonês de paisagens, como marinhas e o monte Fuji].
Kapoor ama os paradoxos: aqui, a gênese interrompida e completada, o movimento aprisionado na imobilidade, as vagas moles num mar cor de vinho, num mar incansável, repousando, no entanto.

Lugares-comuns
Os críticos repetem sempre antônimos paradoxais para evocar a arte de Kapoor ("polaridades metafísicas profundamente enraizadas", disse um): presença e ausência, ser e não-ser, lugar e não-lugar, sólido e intangível, efêmero e eterno, matéria e espírito... Não há como fugir deles.

Mágicas
Paredes com grandes umbigos côncavos ou convexos que desaparecem conforme a situação do espectador, deixando um vestígio inefável. Superfícies metálicas brilhantes revelam, em fim de contas, serem buracos (é impossível, nesses casos, falar de "cheios" ou de "vazios", cheios e vazios não dependem da matéria porque se dão como presenças). Os metais são polidos ao extremo.
"O sublime tradicional", diz Kapoor, "tem superfícies mates, profundas e absorventes, e o brilhante pode ser o sublime moderno, que é totalmente reflexivo, absolutamente presente e devolve o olhar".

Trilha
"Estou tentando lidar com o sentido da desorientação, que obriga as pessoas a reajustarem suas vistas, nem que seja por apenas um minuto, de maneira a se reverem a si próprias em relação ao volume, em relação à cor e assim por diante. No coração disso estão as trevas." São palavras de Kapoor, escultor indiano de formação inglesa, nascido em 1954.


jorgecoli@uol.com.br

domingo, setembro 24, 2006


r.i.p, vico

sábado, setembro 23, 2006

e sobre o caso da ex daquele jogador de futebol, o que o tutty escreveu aqui e aqui é muito próximo da minha opinião.
e não se fala mais disso.

quinta-feira, setembro 21, 2006

* sobre a honestidade:
dois concursos de camisetas, um de cada lado do equador. o do lado de baixo tem uma cláusula no regulamento falando que mesmo as idéias que não forem usadas/vencedoras poderão ser utilizadas sem bônus para o criador. e tem um prêmio no mínimo suspeito. o do lado de cima tem uma premiação singela, mas bem simpática. e, aparentemente, o regulamento não contem nenhuma cláusula abusiva.

* sobre o jeitinho:
eu adoro o rio de janeiro, acho uma cidade linda. mas depois desses últimos dias descobri que nunca conseguiria morar lá. não dá. pelo trânsito, pela falta de seriedade e organização e por outros vários motivos. não tô falando que bh seja diferente. mas acho que a proporção é outra.

* sobre a simpatia:
uma coisa é ser simpático/a por educação, de maneira natural. outra é ser por interesse, de maneira forçada.


vai começar house agora. o resto fica pra depois.

sexta-feira, setembro 15, 2006

What band from the 80s are you?


You rule. in 15 years, you won't be as known as you are now, but most of the people that will know you then will like you (or else I'll beat them with a stick). You're nice to listen to.Take this quiz! Quizilla Join Make A Quiz More Quizzes Grab Code

terça-feira, setembro 12, 2006

* já que nepotismo é crime na política, que é uma coisa pública, devia ser tb nas novelas.
se já não bastasse a música da ana-carolina-featuring-roupa-nova, tb conhecida como tânia mara, noiva (siiiiim, NOIVA) do diretor da novela do manoel carlos, agora a gente tem que aguentar a atuação do irmão da moça. é o novo cigano-igor. um horror.

* alguém pode falar pro luciano huck que flugtag se fala exatamente como se escreve (flugtag), e não flugteg, como ele insiste em repetir?

* andam levando muito a sério aquela coisa de que quem não tem um dos 5 sentidos atuantes acaba aperfeiçoando os outros. surdo nenhum é capaz de enxergar a maioria das legendas que resolveram colocar nas propagandas políticas.

* eu já comi formiga, pelos mesmos motivos que levaram um daqueles mocinhos da novela das 6 comer tb. quem me conhece sabe que não adiantou nada.

* em festinhas de família prefiro ficar no canto dos homens. odeio papo mulherzinha-família. mas odeio mesmo, não tenho a menor paciência. sábado passado, por exemplo, eu preferi saber sobre como é o processo de produção e transporte de locomotivas do que falar sobre avon e receitas de bolo de microondas. pelavôdedeus.

sábado, setembro 09, 2006

fiquei sabendo pelo site do resfest que o banksy, grafiteiro inglês, sabotou a paris hilton. trocou uns 500 exemplares do cd de estréia dela, em 48 lojas do reino unido, por uma paródia produzida por ele. mudou a capa, o encarte e colocou remixes do danger mouse. os títulos? "why am i famous?", "what have i done" ou "what am i for?".

pelo jeito já recolheram as cópias. e a warner proibiu a comercialização delas pelo ebay.

imagens aqui.

e deu até na bbc.

da série às vezes meu ouvido vira um penico:

1 -
"é aquela coisa, como chamam mesmo?
....
arte.....
ah, acho que é arte moderna."

2 -
"contemporânea"

1 -
"hmmm...
será contemporânea? não é moderna não?"

2 -
"é contemporânea"

1 -
"é, uma coisa assim.
diz que tá usando muito lá fora."

-------

mais uma vez: o que é o deslumbre, minha gente?

quarta-feira, setembro 06, 2006

o negócio é o seguinte: eu não entro em loja barulhenta.
não entro, não entro e não entro.
pode colocar o volume no máximo, uma música bem noite. eu não vou entrar.
a única coisa que pode me fazer virar a cabeça pra olhar que loja é, é o ódio que isso me provoca. vou olhar o nome pra guardar bem guardado na minha lista negra. viu franquias de relógio suíço? e de óculos escuros? a-n-t-i-p-a-t-i-a T-O-T-A-L. de com força.

tipo, tem a abercrombie & fitch. é americana, mas eu não a discrimino só por isso. a gente tem que reconhecer qdo alguém faz uma coisa bem feita. no caso da a&f, vc percebe que o som é alto só qdo já entrou na loja. eles não usam o barulho como chamariz. tenho que dar o braço a torcer. as roupas são feitas na macedonia, guatemala, indonésia e cia, e têm um preço absurdo. mas absurdo meeeeesmo. e nem são tão legais. e eles não precisam colocar uma música que fica ecoando pelos corredores do xópen pra que alguém entre lá. entra quem quer. aliás, entra quem pode.

sou contra esse tipinho de estratégia do som alto.
o que é o deslumbre, não é mesmo minha gente?
era isso.

segunda-feira, setembro 04, 2006


meu nome não tá aí, mas eu tô lá.
:)

quinta-feira, agosto 31, 2006

encerro hj meu período forçado de síndica interina.
pretendo não possuir nenhum imóvel pra não correr o risco disso acontecer novamente.
só não afirmo com mais intensidade pq costumo pagar língua.

*#*#*#*#*

esmaltes, meias, livros, camisetas, sapatinho de plástico, feltro de tudo quanto é cor, e o melhor chá comprável em supermercados.
fico feliz com presentinhos e encomendas!

*#*#*#*#*

vi isso hj e a-do-rei. racing grans, da urbn inglesa.

também acho:

São Paulo, quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Crítica

Beleza de "O Clã das Adagas Voadoras" enjoa
INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA

A China, ao menos a cinematográfica, é nada menos que três: Taiwan, Hong Kong e China propriamente dita. Cada uma comporta tendências diversas, em particular Taiwan.
Trata-se, portanto, de um continente. O país de economia mais vigorosa do mundo ostenta uma vitalidade rara no cinema. O que não significa que estejamos obrigados a apreciar tudo o que vem de lá.
Um dos primeiros a chegar até nós -à parte dos filmes de lutas marciais- foi Zhang Yimou, seduzindo com sua combinação de discurso feminista e palácios desencantados.
Mas logo ficou claro que Yimou era um esteta, no mau sentido. Quase um Zeffirelli de olhos puxados.
O recente "O Clã das Adagas Voadoras" (Telecine Cult, 18h), por exemplo, trata do que mesmo? Há uma cega. Ela dança, guerreia e seduz como ninguém. Tudo no filme busca o encantamento.
E, mesmo na guerra, tudo vai se adocicando a tal ponto que se torna insuportavelmente enjoativo.


segunda-feira, agosto 28, 2006

Após nove anos longe do Brasil, a banda americana de punk NOFX desembarca pela segunda vez no país para quatro shows da turnê do novo álbum, "Wolves In Wolves' Clothing".

isso me fez lembrar de uma noite, há nove anos.
no meio fio, na praça de santa tereza.
conhaque + fanta laranja. quente. muito.
um show acontecendo e eu andando entre a platéia, conversando com pessoas e tal.
na manhã seguinte, um mal-entendido divertidíssimo, que nunca foi desfeito.

sábado, agosto 26, 2006

a receita é tão boa, mas tããão boa, que eu não vou só deixar o link.
foi meu almoço de hj:


Batata Indiana
Receita indicada por Solange Coelho Vereza

Ingredientes:
- 1 kg de batata cozida(s) em rodela(s)
- 1 unidade(s) de cebola picada(s) finamente
- 2 dente(s) de alho amassado(s)
- quanto baste de gengibre ralado(s)
- 1 colher(es) (chá) de curry
- 1 colher(es) (chá) de cominho em grãos
- 1 vidro(s) de leite de côco
- 1/2 lata(s) de creme de leite

Modo de preparo:
Cubra um refratário grande com a batata. Numa panela, doure bem a cebola com o alho e gengibre, em fogo não muito alto. Polvilhe o curry e o cominho, e refogue-os por 1 minuto. Desligue o fogo e acrescente o leite de côco e o creme de leite, misturando bem. Acrescente sal a gosto. Cubra as batatas com essa mistura e asse até elas ficarem douradas e o creme solidificar um pouco (cerca de 40 minutos, em temperatura média). Acompanha bem carnes e aves.

agora é sério.

em bairros povoados pela elite branca não se encontram papéis de presente daqueles tradicionais, baranguinhos e tão bonitinhos. o mesmo vale para os papéis contact.
só se acham personagens da disney, desenhos suaves e bem planejados, tudo muito certinho.

o baranguinho, nesses bairros, só serve pra enrolar cartolina.

sexta-feira, agosto 25, 2006

um dos melhores programas de televisão de todos os tempos:
people like us
uma produção da bbc, de londres.
exibido no brasil pelo eurochannel.

maiores informações aqui e aqui.

São Paulo, sexta-feira, 25 de agosto de 2006

BARBARA GANCIA

McDia Infeliz

Não seria mais coerente apoiar um movimento para esclarecer a juventude sobre os riscos da obesidade?

ALÔ, RONALD MCDONALD, o palhacinho preferido das crianças obesas! Quer dizer que amanhã tem McDia Feliz na rede de lanchonetes McDonald's?

Para quem não sabe, o McDia Feliz é aquele sábado do ano em que toda a renda obtida com a venda do sanduíche Big Mac é doada ao Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer).

A campanha, de âmbito nacional, é divulgada nas escolas e conta com o trabalho dedicado de dezenas de milhares de voluntários, entre os quais constam instituições financeiras, como o Banco Real, que neste ano adquiriu 7.000 vales-Big Mac para distribuir entre seus funcionários, e grandes empresas, como a Philco, que desenvolveu uma campanha com os seus vendedores para dar vales-Big Mac de acordo com a performance de cada um.

Não é comovente ver o país inteiro se juntar em mutirão por uma boa causa? Bem, como não me incomodo em fazer o papel de estraga prazeres, respondo ao meu próprio questionamento com um sonoro NÃO.

Antes que você diga que sou do contra ou que estou pouco me lixando para as crianças e os adolescentes com câncer, gostaria de lembrá-lo, meu nobre leitor, de que a comida do McDonald's faz mal à saúde.

Comprovadamente. O documentário indicado ao Oscar, "Super Size Me - A Dieta do Palhaço", de Morgan Spurlock, está aí que não deixa mentir. Depois que o filme foi lançado nos EUA, o McDonald's se viu obrigado a tirar as gigantescas porções "super size" do cardápio.

Os funcionários do banco Real e da Philco podem fazer com seus estômagos o que bem entenderem, mas, se tenho escolhas melhores, por que eu deveria comer algo que é nocivo à saúde para ajudar crianças e adolescentes com câncer?

Aliás, porque será que o McDonald's escolheu justamente as crianças, indefesas, como o objeto de sua campanha? Não seria mais coerente apoiar um movimento para esclarecer a juventude sobre os graves riscos da obesidade?

Parece mesmo que algumas pessoas só usam a cabeça para apoiar o chapéu. Não está na cara que a qualidade da alimentação influi, e muito, na saúde e na longevidade? Pois o McDonald's fazer campanha para ajudar crianças com câncer não é mais ou menos a mesma coisa que uma Philip Morris ou uma Souza Cruz da vida promoverem campanhas para levantar fundos em prol das vítimas de câncer no esôfago e no pulmão? Não é o equivalente aos fabricantes de bebidas alcoólicas financiarem campanhas para ajudar as vítimas de acidentes de trânsito?

Apoiar qualquer ação do McDonald's significa incentivar o consumo diário de carne, hábito que está devastando o planeta, a começar pela Amazônia. É de admirar que empresas de porte não vejam nada de errado em ligar o seu nome ao de uma campanha canhestra como a do McDia Feliz. Se desejam doar dinheiro para ajudar a quem precisa, por que não o fazem diretamente, depositando o tutu na conta corrente do Gracc, da Santa Casa ou de outra entidade de escolha? Será que ninguém no banco Real ou na Philco se deu conta de que parte do dinheiro doado ao McDia Feliz vai parar, na forma de impostos, nos cofres do governo?


barbara@uol.com.br

(negritos meus.)

quinta-feira, agosto 24, 2006

já vi isso em algum lugar...

*#*#*#*#*

outra coisa gostosa: ervilha torta refogada com molho de tomate.

*#*#*#*#*

há um ano eu estava com aqueles sentimentos misturados.

*#*#*#*#*

eu IA responder isso. mas não quero me entregar tanto.
pra quem quiser responder e passar pra frente...


some THINGS YOU MIGHT NOT KNOW ABOUT me:


A) THE FOUR MOST STYLISH PEOPLE THAT INFLUENCED/INSPIRED ME:
1.
2.
3.
4.

B) FOUR WAYS THAT STYLE MAKES THE WORLD A BETTER PLACE
1.
2.
3.
4.

C) FOUR OF MY FAVORITE DESIGNERS
1.
2.
3.
4.

D) FOUR JOBS I HAVE HAD IN MY LIFE:
1.
2.
3.
4.

E) FOUR MOVIES I WOULD WATCH OVER AND OVER (AND DO):
1.
2.
3.
4.

F) FOUR PLACES WHERE I HAVE LIVED:
1.
2.
3.
4.

G) FOUR TV SHOWS I LOVE TO WATCH:
1.
2.
3.
4.

H) FOUR PLACES I HAVE BEEN ON VACATION IN THE LAST FOUR YEARS:
1.
2.
3.
4.

I) FOUR WEBSITES I VISIT DAILY (Or at least Weekly):
1.
2.
3.
4.

J) FOUR OF MY FAVORITE FOODS:
1.
2.
3.
4.

K) FOUR PLACES I WOULD RATHER BE RIGHT NOW:
1.
2.
3.
4.


*#*#*#*#*

estou tentando seguir as recomendações médicas.
eu disse tentando.

terça-feira, agosto 22, 2006

num dos meus sonhos dessa noite, eu tentava explicar uma das causas da bela situação em que o brasil, em particular, e o planeta, no geral, se encontram.
eu tinha toda a explicação na minha cabeça, mas não conseguia falar, não faziam silêncio pra que eu pudesse ser ouvida claramente por todos. não lembro direito onde eu estava.
mas lembro da minha teoria: enquanto as pessoas não pararem de se comportar como uma massa, que é governada e está à mercê de quem tem o poder, nada mudará. só quando cada um se vir como indivíduo, capaz de fazer e modificar as coisas sem esperar que algum político resolva tudo, é que começaremos o processo de mudança. aquela coisa do "se cada um fizer a sua parte, já é um bom início".

e é o que eu penso mesmo.

almoço delícia de ontem:

- tabule feito por mim (tenho que aprender a fazer porçoes pequenas. vou comer tabule por uns 3 dias)
- bife de soja da casa nascente do sol

sábado, agosto 19, 2006

Take the quiz:
Were you born to be famous?

GET ME OUT OF THE SPOTLIGHT
Well, you certainly spend a lot of time hiding from the spotlight, don't you? Being the center of attention comes with a lot of pressure and it can certainly be scary. But have you ever considered that people might be truly interested in you? Let yourself be the center of attention now and then-you might even enjoy it. You should never, ever deny yourself your moment to shine!

Quizzes by myYearbook.com -- the World's Biggest Yearbook!

almocinho delícia de ontem, feito por mim:

- salada de ervilha torta com sal, azeite e alecrim;
- arroz com ervas;
- estrogonofe vegetariano, com batata, cenoura, milho, couve-flor e brócolis.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Take the quiz:
What type of kisser are you?

Playfull kisser
you and your girl/boy friend will have a very fun relationship

Quizzes by myYearbook.com -- the World's Biggest Yearbook!

quarta-feira, agosto 16, 2006

SÚMULA
Herberto Helder

Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.

Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

In «Ou o Poema Contínuo», Assírio & Alvim, 2001

- terminado: fátima fez os pés para mostrar na choperia, de marcelo mirisola -> muito bom. rapaz de futuro.

- começado: o pirotécnico zacarias e outros contos escolhidos, de murilo rubião.

domingo, agosto 13, 2006

cansada e triste.
não sei pq eu ainda insisto em certas coisas.
vontade de dar tchau, sair e não ver nunca mais.
pra mim a brincadeira acabou.
cansei.

sábado, agosto 12, 2006

O filme Terráqueos já disponível na internet para fins educacionais. Não deixe de assistir este que é um dos filmes mais armados de argumentos abolicionistas. Reserve alguns minutos para refletir.

Earthlings (Terráqueos) - Português (Legendado)
Versão completa (95 minutos)

Assista aqui:
http://video.google.com/videoplay?docid=-5923245618644065423

“De todos os filmes que eu já fiz, este é o que as pessoas mais comentam.Para cada pessoa que ver EARTHLINGS, elas contarão para outras três.”
-Joaquin Phoenix, ator/narrador

“Se eu pudesse fazer com que todos no mundo vissem um filme, eu os fariaver EARTHLINGS.”

-Peter Singer, autor Libertação Animal

EARTHLINGS (Terráqueos) é um documentário sobre a absoluta dependência dahumanidade em animais (para companhia, comida, roupa, entretenimento, epesquisa científica), mas também demonstra nosso completo desrespeito porestes chamados "provedores não-humanos." O filme é narrado pelo indicadoao Oscar Joaquin Phoenix (GLADIADOR) e apresenta música pelo artista deplatina renomado pela crítica Moby.

Com um estudo profundo em pet shops, fábricas de filhotes e abrigos de animais, como também em fazendas industriais, o comércio de couro e de peles, as indústrias de esportes e entretenimento, e finalmente a profissão médica e científica, EARTHLINGS usa câmeras escondidas e imagens nunca antes vistas para demonstrar as práticas cotidianas de algumas das maiores indústrias do mundo, todas as quais dependem totalmente em animais para o lucro. Poderoso, informativo e provocador, EARTHLINGS é de longe o documentário mais compreensível já produzido na correlação entre a natureza, animais, e os interesses econômicos humanos. Existem muitos filmes valiosos de direitos dos animais, mas este transcende o cenário.

EARTHLINGS grita para ser visto.

"Por favor, mostre este vídeo para outras pessoas. Obrigado por assistir."

Assista aqui:
http://video.google.com/videoplay?docid=-5923245618644065423


Para maiores informações em como adquirir o vídeo legendado, entre em contato:
Gato Negro - Núcleo Libertação Animal
gatonegro@riseup.net



Outros vídeos traduzidos pelo grupo:

Mundo vegetariano:

http://video.google.com/videoplay?docid=6550301632794706439

Engula isso (Chew on this):
http://video.google.com/videoplay?docid=-8533586834187470003

Meet your Meat:
http://video.google.com/videoplay?docid=195777870900147944

vídeos:

- um clipe do dresden dolls: http://www.youtube.com/watch?v=Res5-iC0gkk
- uma paródia dele: http://www.youtube.com/watch?v=x4L8d0r-rJ4
- um clipe óóótimo: http://www.youtube.com/watch?v=GkHqBqyHDok

quarta-feira, agosto 09, 2006

não faço a menor questão de ter um mínimo de educação com pessoas que eu não engulo.
mesmo que não exista um motivo " " concreto pra não-deglutição.
não tolero risadinhas, comentários imbecis nem a voz.

já com as pessoas por quem eu tenho alguma simpatia, costumo me esforçar mais um pouco.


o mau humor tomou conta de mim hj.
com força.

terça-feira, agosto 08, 2006

ei, você, que acredita que os seres humanos são superiores aos outros seres vivos!
ei, você, que baseia sua crença na afirmação de que os dominantes são os superiores!

não fui eu que disse isso:

(...)
No começo do Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.
Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: "Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas", para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano - eventualmente grelhado no espeto por um habitante da Via-Láctea - talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais) desculpas à vaca.
(...)
No caminho encontram uma vizinha que está indo para o estábulo, calçada com botas de borracha. A vizinha pára: - O que aconteceu com seu cachorro? Parece que está mancando! Tereza responde: - Está com câncer. Está condenado - e sente a garganta apertar, quase não pode falar. A vizinha percebe as lágrimas de Tereza e fica indignada: - Pelo amor de Deus, não vai chorar por causa de um cachorro! - Não disse isso por maldade, é uma boa mulher, foimais para consolar Tereza. Tereza sabe disso, mora no lugar há tempo suficiente para compreender que se os camponeses gostassem de seus coelhos como ela gosta de karenin não poderiam matá-los e acabariam morrendo de fome no meio de seus bichos. Ho entanto a observação da vizinha lhe parece hostil. - Sei - responde sem protestar, mas apressa em dar-lhe as costas e continuar seu caminho. Sente-se sozinha em seu amor pelo cão. Pensa com um sorriso triste que deve escondê-lo mais secretamente do que se escondesse uma infidelidade. O amor que se tem por um cachorro escandaliza. (...)
Segue seu caminho com as novilhas que se esfregam umas nas outras, dizendo a si mesma que são bichos muito simpáticos. Pacíficos, sem malícia, às vezes de uma alegria pueril: parecem mulheres gordas, cinqüentonas, que fingissem ter quatorze anos. Não existe nada mais comovente que vacas brincando. Tereza as olha com ternura, e diz para si mesma (é uma idéia que lhe ocorre sem cessar há dois anos) que a humanidade é parasita da vaca, assim como a tênia é parasita do homem: agarrou-se à sua teta como uma sanguessuga. O homem é o parasita da vaca, essa é, sem dúvida, a definição que um não-homem poderia dar ao homem em sua zoologia.
Pode-se tomar essa definição como um simples gracejo e sorrir com indulgência. Tereza porém leva a sério, e fica numa posição arriscada: essas idéias são perigossas e a distanciam da humanidade. Já no Gênese, Deus encarregou o homem de reinar sobre os animais, mas podemos explicar isso dizendo que ele apenas emprestou ao homem esse poder. O homem não era o proprietário mas apenas o gerente do planeta, e um dia teria de prestar contas de sua gestão. Descartes deu o passo decisivo: fez do homem "maître et propriétaire de la nature". Que seja precisamente ele quem nega de maneira categórica que os animais tenham alma, eis aí uma enorme coincidência. O homem é senhor e proprietário, enquanto o animal, diz Descartes, não passa de um autômato, uma máquina animada, uma machina animata. Quando um animal geme, não é uma queixa, é apenas o ranger de um mecanismo que funciona mal. Quando a roda de uma charrete range, isso não quer dizer que a charrete sofra, mas apenas que ela não está lubrificada. Devemos interpretar da mesma maneira os gemidos dos animais, e é inútil lamentar o destino de um cachorro que é dissecado vivo num laboratório.
As novilhas pastam no prado, Tereza está sentada sobre um tronco de árvore e Karenin estendida a seus pés, a cabeça recostada em seus joelhos. Tereza lembra-se de uma notícia de duas linhas que lera no jornal há uns dez anos: dizia que numa cidade da Rússia todos os cachorros haviam sido mortos. Essa notícia discreta e aparentemente sem importância tinha-lhe feito sentir pela primeira vez o horror que emanava desse imenso vizinho.
Era uma antecipação de tudo que viria depois: nos dois primeiros anos que se seguiram à invasão russa, não se podia ainda falar em terror. Já que toda nação desaprovava o regime de ocupação, era preciso que os russos encontrassem entre os tchecos homens novos e os levassem ao poder. Mas onde encontrá-los, uma vez que a fé no comunismo e o amor pela Rússia eram coisa morta? Foram procurar entre aqueles que alimentavam intimamente o desejo de se vingar da vida. Era preciso soldar, alimentar, manter alerta a agressividade deles. Era preciso primeiro treiná-los contra um alvo provisório. Esse alvo foram os animais.
Os jornais começaram então a publicar uma série de artigos e a organizar campanhas sob a forma de cartas de leitores. Exigia-se, por exemplo, o extermínio dos pombos numa cidade. Os pombos foram exterminados. Mas a campanha visava sobretudo aos cachorros. As pessoas estavam aida traumatizadas com a catástrofe da ocupação, mas os jornais, o rádio, a televisão, só falavam nos cachorros que sujavam as calçadas e os jardins públicos, ameaçando a saúde das crianças, cachorros que não serviam pra nada e ainda tinham que ser alimentados. Fabricou-se um verdadeira psicose, e Tereza teve medo de que a população excitada se voltasse contra Karenin. Um ano mais tarde, o ódio acumulado (ensaiado primeiro sobre os animais), foi apontado para o seu verdadeiro alvo: o homem. As demissões, as prisões, os processos começaram. Os animais puderam enfim respirar.
(...)
A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, num nível tão profundo que escapa a nosso olhar) são as relações com aqueles que estão à nossa mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras.
(...) Mas a aldeia tornou-se uma grande usina cooperativa e as vacas passam a vida em dois metros quadrados de estábulo. Não têm mais nome, são apenas machinae animatae. O mundo deu razão a Descartes.
Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabeça de Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem: Nietzsche está saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-0 com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sobo o olhar do cocheiro, explode em soluços.
Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, é justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão por Descartes. Sua loucura (portanto seu divórcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo.
É este Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em sues joelhos a cabeça de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: os dois se afastam do caminho no qual a humanidade, "senhora e proprietária da natureza", prossegue sua marcha para a frente.


Milan Kundera in: A Insustentável Leveza do Ser. 1983.

na tela:
- oldboy: gratuito;
- matchpoint: não é aquilo tudo que me falaram;
- a cicatriz: (dormi em poucos minutos de filme);
- o albergue espanhol: :S filme feito pra comunidade européia e pros brasileiros que pensam em morar numa república em barcelona, ou seja, não foi feito pra mim.

no papel:
- a insustentável leveza do ser, milan kundera: maravilhoso. ainda vou ler mais algumas vezes pra pegar tudo.
- fátima fez os pés para mostrar na choperia, marcelo mirisola: iniciado, mas já me agrada bem. volto a falar mais qdo terminar.

domingo, agosto 06, 2006

Voto nulo e amor de mãe
Guilherme Fiuza


A patrulha do bem tem uma característica inconfundível: se move sempre com a certeza de carregar a verdade absoluta. Daí o feitio quase religioso de suas cruzadas. Os virtuosos estão em campo de novo, agora para mostrar aos distraídos que o voto nulo é ruim para a democracia. Não ouse discordar. Você será tachado de alienado, ignorante ou agente involuntário da corrupção.

Votar nulo está errado, avisam os éticos. E não fique chateado, eles só querem o seu bem. Você é um sujeito distraído que não sabe o que é bom para você, mas para sua sorte tem alguém que sabe. E que vai lhe dizer o que fazer.

Ideais puros são sempre comoventes. Adolf Hitler também acreditou, do fundo da alma, que era preciso purificar a raça humana. Aquilo era tão evidente que o líder alemão resolveu pular a etapa da polêmica: quem fosse contra ia para a prisão ou para debaixo da terra. De fato, quando se tem a certeza da verdade, é irritante perder tempo com discussões inúteis.

Quando o bizarro Enéas foi eleito deputado por São Paulo com uma votação histórica, a patrulha do bem avisou: aquilo era um absurdo. Intelectuais, cientistas políticos e outros guardiões da democracia alertavam que havia algo errado com o eleitorado. São realmente interessantes, esses democratas: amam e defendem a democracia, desde que ela seja praticada conforme o script que trazem dobrado no bolso.

Votar no Enéas está errado. Votar nulo também está errado. Os homens de bem têm o manual de instruções da democracia, portanto é bom não discordar deles. Se você usar sua consciência para votar nulo, você estará beneficiando os políticos fisiológicos, que se mantêm há tanto tempo no poder manobrando o voto dos não-conscientes. Como se vê, eles pensaram em tudo para você. Não é preciso fazer nada, apenas segui-los.

O que é pior: o voto nulo ou o voto entediado? Um eleitorado entediado é capaz, por exemplo, de eleger uma Rosinha Garotinho em primeiro turno. Note-se que o tédio pode ser mais anárquico que a própria anarquia.

O problema da patrulha do bem é que ela, no fundo, detesta a liberdade. Se deixar essa gente solta por aí – pensam eles –, fazendo o que lhe dá na telha, votando no Seu Creysson e no Macaco Tião, vão acabar melando a democracia. Foi mais ou menos o que os militares pensaram no golpe de 64: esse povo distraído fica votando errado, elegendo comunista, e isso aqui vai acabar virando uma ditadura; vamos suspender um pouco esse negócio de voto, para proteger a democracia.

Os mais jovens podem achar que é piada, mas no movimento que instalou a ditadura militar de 64 havia, de fato, gente sinceramente preocupada em proteger a democracia. Assim como essa turma que defende uma constituinte restrita acha, sinceramente, que mudando as pessoas e as regras, ficará para trás o velho fisiologismo e tráfico de influência. De fato ficará, abrindo caminho para fisiologismos e tráficos de influência novos em folha.

Sentinelas do bem, deixem as pessoas votarem como bem entenderem. Deixem as pessoas não votarem, se não quiserem. Deixem as pessoas serem indignadas ou ignorantes a seu modo. Deixem as pessoas deixarem o sistema cair de podre, se for o caso.

Deixem a MTV esculachar os políticos, se ela quiser. Vocês admitiram durante tanto tempo Dirceu, Silvinho e Delúbio como soldados do bem contra o mal. Por que não admitir agora que as pessoas queiram jogar Lula, Alckmin e Heloísa Helena, juntos e bem embrulhados, na mesma lata de lixo?

Votar nulo é um direito. Pode ser um erro. Mas esse diagnóstico não cabe aos patrulheiros. Cabe à história. E ela não costuma diagnosticar em tempo real.

Aos que querem “salvar” as consciências distraídas, é bom lembrar que democracia é como amor de mãe: respeitando a liberdade é uma maravilha, capando-a é uma tragédia.



obs: negritos meus.

quarta-feira, julho 26, 2006

esgotamento.
pi, de darren aronofsky.
apropriadíssimo.



gosto de formigas.

segunda-feira, julho 24, 2006

e uma legítima borícua é a mais nova miss universo.
detalhes aqui.

(post nº 500 desde que o fóquiú passou para o blogspot!)

ACHTUNG:

verwirren Sie mit meiner Scheiße nicht.


em homenagem à margot-helen e ao gato da holly-lula mae-audrey:

ruby tuesday
mick jagger, keith richards

she would never say where she came from
yesterday don't matter if it's gone
while the sun is bright
or in the darkest night
no one knows
she comes and goes

goodbye, ruby tuesday
who could hang a name on you?
when you change with every new day
still I'm gonna miss you...

don't question why she needs to be so free
she'll tell you it's the only way to be
she just can't be chained
to a life where nothing's gained
and nothing's lost
at such a cost

goodbye, ruby tuesday
who could hang a name on you?
when you change with every new day
still I'm gonna miss you...

there's no time to lose, I heard her say
catch your dreams before they slip away
dying all the time
lose your dreams
and you will lose your mind.
ain't life unkind?

goodbye, ruby tuesday
who could hang a name on you?
when you change with every new day
still I'm gonna miss you...

goodbye, ruby tuesday
who could hang a name on you?
when you change with every new day
still I'm gonna miss you...

domingo, julho 23, 2006

* sexta:
. o jardineiro fiel. acho que mudei de idéia. gostei.

*sábado:
. picasso: paixão e erotismo. fila. crianças que não me intimidaram. e eu gosto dele.
. otoni16: mojito, caviar de berinjela, satanismo, remédio controlado, especismo, performances rosísticas, super-heróis, acidez da laranja, a molher com quem ele vai fazer erotismo, caridon, bee, irmãos nasser, a sabotagem dos filhos de donos de bancas de revistas, etc, etc, etc e o seguinte diálogo:
- ... aí ela falou que eu era muito intolerante.
- O QUEEE??? TOLERANTE, VOCÊ?
- não, INtolerante.
- ahhhhhh bom.

*domingo:
. bonequinha de luxo. bom. i miss nyc. (e o filme é baseado numa novela do truman capote. novidade total pra mim.)
. os excêntricos tenenbaums. é ruim ver um filme muito recomendado. sempre dá a sensação de decepção. mas eu gostei dele. acho que não foi feito pra ser um daqueles filmes fundamentais, e cumpre bem o não-papel. mordecai, pagoda e buckley foram meus preferidos.
. o clã das adagas voadoras. ainda vou me lembrar de todas as pessoas que me falaram que era bom e me vingarei.

domingo, julho 16, 2006

separados no nascimento:
jared leto e fernanda vasconcellos.

terminado:
a mulher de trinta anos. (balzac é o manoel carlos de parrí. intriguinhas familiares, personagens recorrentes, helena e tal.)

reiniciado:
a insustentável leveza do ser.

that cat's something i can't explain

óquei, eu me rendo.
depois que até o fantástico falou da morte do syd barrett, aqui vai minha homenagem.
não gosto do pink floyd no geral. abomino o the wall.
mas adoro essa música, de verdade.
acho que, principalmente, pq ela não tem nada a ver com o que ficou sendo conhecido como som da banda.
é do primeiro disco, The Piper at the Gates of Dawn, de 67.
e a letra é dele. e ele era lindo. e inglês.


Lucifer Sam
(Barrett) 3:07

Lucifer Sam, siam cat.
Always sitting by your side
Always by your side.
That cat's something I can't explain.

Ginger, ginger you're a witch.
You're the left side
He's the right side.
Oh, no!
That cat's something I can't explain.

Lucifer go to sea.
Be a hip cat
Be a ship's cat.
Somewhere, anywhere.
That cat's something I can't explain.

At night prowling sifting sand.
Hiding around on the ground.
He'll be found when you're around.
That cat's something I can't explain.

acabei de ver o senhor das armas.
daqueles filmes que falam de coisas que todo mundo tá cansado de saber, mas que às vezes precisam ser lembradas.

sou pessimista.
mas idealista tb.
às vezes mais uma coisa, às vezes outra.

... e la nave va.

quarta-feira, julho 12, 2006

- Pobrezinha! - exclamou Luísa, agarrando a mão de Júlia - como é que ainda consegues viver?
- Isso é segredo - respondeu a marquesa, deixando escapar um gesto de candura quase infantil. - Escuta. Tomo ópio. A história da Duquesa de..., em Londres, deu-me a idéia. Tu sabes, Maturin aproveitou-a para um romance. Minhas gotas de láudano são muito fracas. Durmo. Só passo sete horas acordada, e as consagro à minha filha...

em A Mulher de Trinta Anos, Honoré de Balzac. (negrito meu)

***

Coube a Paracelso, médico suíço que viveu entre 1493 e 1541, portanto no alvorecer da Renascença, o mérito de reintroduzir o uso médico do ópio na Europa Ocidental 6. Paracelso foi tão entusiasta dessa droga que a carregava sempre consigo e a denominou "pedra da imortalidade" 9. O termo láudano é usado na literatura médica do século XVII como designativo de um medicamento de eficácia comprovada, e muitos médicos famosos tinham um láudano com o seu nome. Há dúvidas se o láudano de Paracelso continha ópio 17. Já o láudano de Sydenham foi a principal preparação líquida contendo ópio, usada na Inglaterra no século XVII e teve grande aceitação na Europa e nas Américas até o início do século XX 18. Sydenham, não menos entusiasta do ópio do que Paracelso, declarou: "Entre os remédios oferecidos por Deus Todo Poderoso para aliviar o sofrimento do homem nenhum é tão universal e tão eficaz quanto o ópio" 6. O láudano de Sydenham continha ópio, vinho de cereja, açafrão, cravo e canela 17. Ainda no século XVII surgiram outras preparações das quais pode-se destacar o Pó de Dover que consistia em uma mistura de ópio, sal, tártaro, alcaçuz e ipecacuanha, e o Paregórico da autoria de Le Mort, professor da Universidade de Leyden entre 1702 e 1718. Uma fórmula modificada, com a denominação de Elixir Paregórico contendo ópio, mel, cânfora, anis e vinho, foi publicada na Farmacopéia de Londres de 1721 9. Na mesma época, uma outra preparação conhecida como Láudano de Rousseau esteve em voga na Europa Continental 9. Contudo, os efeitos adversos do ópio ficaram cada vez mais conhecidos, preocupando o próprio Sydenham cujo entusiasmo pela droga era notório.


daqui. de novo, os negritos são meus.
(mas o láudano de Sydenham devia ser bom, hein?)

da fsp de hj.
e eu concordo.


Os filhos de Rawls

Aceitar as cotas implica não premiar os indivíduos por aquilo que eles valem, mas pelo que naturalmente são

JOÃO PEREIRA COUTINHO

A DISCUSSÃO das cotas raciais no Brasil é interessante. Desde logo porque revela e esconde em partes iguais. Um exemplo: será legítimo discriminar positivamente os negros no acesso ao ensino universitário? Uma resposta afirmativa implica discriminar negativamente outros: se os recursos não são ilimitados, alguém terá de ficar de fora, muitas vezes com competência superior. E não é injusto que sejam os brancos, apenas por ser brancos, os primeiros sacrificados?

Não, se tivermos na cabeça "Uma Teoria da Justiça", que Rawls publicou em 1971. Foi um terremoto. Teoricamente, é possível afirmar que existe uma ciência política antes de Rawls e outra depois de Rawls. Vários autores construíram carreira em diálogo com ele. E Rawls, honra seja feita, respondeu sempre aos seus críticos e, até ao final da vida, em 2002, foi corrigindo aspectos da sua teoria. Um caso de seriedade intelectual.

Mas as conseqüências práticas foram mais profundas ainda. A teoria da justiça não defende, tão somente, que as desigualdades serão aceitáveis para melhorar o bem-estar dos mais desfavorecidos (o famoso "segundo princípio", que os igualitários adoram). A teoria da justiça vai mais longe ao negar, explicitamente, qualquer noção de mérito para premiar (ou punir) os atos dos indivíduos. Rawls afirma: se o lugar que ocupamos em sociedade é uma espécie de loteria (ninguém é responsável por nascer pobre, ou preto, ou anão), falar de mérito é moralmente vácuo. O resto depende: ou aceitamos as premissas da teoria e agimos em conformidade, corrigindo; ou, simplesmente, não.


Eu confesso que não aceito. Sim, as pessoas podem nascer pobres, negras e anãs. Mas o relevante não é esse fato natural. Relevante é saber o que as pessoas fazem com esse fato natural. Porque existe sempre um espaço de liberdade (e de esforço, e de responsabilidade) que merece ser aplaudido (ou não). Aceitar as cotas, ou seja, aceitar que o mérito deixa de ser relevante no acesso à universidade, implica não premiar os indivíduos por aquilo que eles valem, mas por aquilo que eles naturalmente são, uma forma de primitivismo. Os resultados intelectuais são imediatos: o abandono do esforço individual e de uma sociedade mais cultivada.


Mas existe um aspecto moral usualmente ignorado. Rawls reclama-se herdeiro de Kant. Mas Rawls esqueceu que, para Kant, o paternalismo era a pior forma de opressão. A introdução de cotas raciais irá tratar uma "raça" como uniforme e, pior ainda, uniformemente inferior, como se a cor da pele fosse a exibição pública de uma deficiência que desperta compaixão no legislador.


Porque tudo se resume no essencial: ou as pessoas são tratadas como iguais; ou, pelo contrário, tratamos desigualmente quem já reconhecemos como desigual. Se eu fosse negro, e desejasse ser reconhecido pelo meu trabalho (e não pela minha pele), eu não gostaria que a minha individualidade como ser humano fosse diluída pelo paternalismo do Estado. Mas os filhos de Rawls sempre gostaram da mão do dono sobre a pele.

domingo, julho 09, 2006

finalmente vi o iluminado. gostei. queria até falar mais.
acho interessante a maneira como o kubrick usa o design (de produtos) em seus filmes. pelo menos nos (poucos) que eu vi.
e jack nicholson é jack nicholson. não é mesmo, minha gente?

depois tentei ver gosto de sangue. dos coen, com a frances mcdormand, que eu gosto tanto.
mas dormi em frente à tv.

*******







Who is Your Alter Poet?




Way to go, your alter poet is Jack Kerouac, who is by FAR the coolest!
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sexta-feira, julho 07, 2006

terminados:
- a desobediência civil, henry david thoreau
- a propriedade é um roubo e outros escritos anarquistas, pierre joseph proudhon

iniciado:
- a mulher de trinta anos, honoré de balzac.

quarta-feira, julho 05, 2006

cansada da espécie humana em geral.
e de alguns exemplares em particular.

segunda-feira, julho 03, 2006

The Rakes - "Work, Work, Work (Pub, Club, Sleep)"
Album: "Capture/Release" (2005)


Maybe lack of sleep, or last nights drinks
Now my eyes twitching,
if that prick coughs again
In the back of my head
I'll smash your fucking face in

Ok, that's it, take a deep breath
I've got to get out of here
I've got to clear my head
I've got to clear my head

It's all these words,
ideas and different arguments
Someone's always talking
when I try to make some sense
From all this stress that is constantly going on
I just drift along with no focus or meaning
Lean back, stare up at the ceiling
I just drift along with no focus or meaning

I've got the same shirt on
for two days in a row
With a soya sauce stain
so everyone knows
Can shower and scrub
Still smell like the smoking bit
in a Weatherspoons pub

I'll have my lunch early,
get some sugar in my blood
My clothes still smell of last night
I've got to clear my head

It's all these words,
ideas and different arguments
Someone's always talking
when I try to make some sense
From all this stress
hat is constantly going on
I just drift along with no focus or meaning
Lean back, stare up at the ceiling
I just drift along with no focus or meaning

Why do these tourists walk so slow?
Especially now I've got somewhere to go?
And a posh sounding girl, going on and on
About her dog and Mr. Morgan
It sounds so funny when I hear you calling!
Mum be like 'boy what you doing?'
Please shut up and try and sound confident
In a crap job when your minicourse is done

It's all these words,
ideas and different arguments
Someone's always talking
when I try to make some sense
From all this stress
that is constantly going on
I just drift along
with no focus or meaning
Lean back, stare up at the ceiling
I just drift along with no focus or meaning

paradoxo de sábado:
se o céu é paris, como dizer que deus é brasileiro?

aproveitando a deixa, já é hora de começar a novena pela não classificação do brasil na copa de 2010.
se as coisas continuarem do mesmo jeito, os santos nem vão precisar de fazer força.

"ele só fala em cachorro e comida vegetariana!"

quem diria que eu teria que pedir de presente a coisa mais óbvia que alguém poderia dar a uma mulher no aniversário de 30 anos?

domingo, julho 02, 2006

ontem não deu tempo, mas fica aqui minha homenagem à minha pessoa: